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UniSL realiza o I Fórum de Educação Indígena

Publicada em 26/04/2017 por Assessoria de Imprensa.

 

A inserção e a permanência  dos estudantes indígenas  no ensino superior foram destaque durante o  Fórum de Educação Indígena promovido pelo  Centro Universitário São Lucas (UniSL), na noite desta terça-feira, no auditório do Senai, sob a coordenação do professor de Sociologia e Antropologia Rafael Ademir. A UniSL tem uma média de 15 universitários indígenas das diversas etnias. Participaram das discussões estudantes indígenas e não indígenas de várias faculdades da capital.

Os índios universitários discorreram sobre a dificuldade de adaptação no mundo acadêmico, o preconceito que sofrem dos colegas, a insuficiência de conhecimentos básicos para acompanhar as aulas, e a falta de recursos para se manterem – fatores que levam muitos a desistirem de concluir o curso.

Para Jucimar Apurinã, estudante de Odontologia do UniSL, as universidades/faculdades  estão abertas para receber alunos com as mais diversas identidades culturais, “Mas será que a comunidade acadêmica está preparada para essa realidade?” indagou. Para ele, é preciso rever essa questão e levar o assunto para ser debatido de forma ampla. “Respeitar o índio é respeitar a História do Brasil”, observou.

Jucimar relatou o seu sonho em cursar Odontologia. Começou atuando como técnico em saúde bucal, porém, quando surgiu a oportunidade para fazer o curso superior, não pensou duas vezes em abandonar tudo, incluindo a família, para vir à Porto Velho. “Nunca sofri preconceito, mas ouço constantemente amigos meus  comentarem sobre os transtornos pelos quais passam”, disse.

“É uma realidade totalmente diferente daquela em que estávamos acostumados em nosso dia-a-dia e complica, ainda mais, pelo fato de não contarmos com o apoio dos colegas”, declarou a estudante de Direito da Unir, Natália  Kycendekarun, da aldeia Apurinã.

Ela afirmou que as barreiras já começam na matrícula, pois não há informações sobre como proceder para conseguir os benefícios a que eles têm direito. “É preciso ter muita força de vontade para dar continuidade aos estudos, pois os obstáculos são imensos”, revelou.

Os indígenas que estudam em universidades públicas recebem uma bolsa-auxílio, porém não podem contar com essa assistência regularmente, pois chega a atrasar 03 meses, segundo afirmou Natália. Sem recursos, a estudante disse que é comum os alunos receberem cobranças constantemente por atraso nas contas de manutenção básica.

 

Cotas

 

“Algumas pessoas nos olham com raiva porque entramos na faculdade por meio de cotas”, declarou Sandra Parintintin, que cursa Arqueologia na Unir, citando como exemplo a colega índia que faz Medicina na mesma Universidade. “Ela se sente excluída da turma por ter acessado o curso de forma diferenciada. Tem ainda a questão da educação primária e secundária, que não é de qualidade nas aldeias e isso reflete na hora de acompanhar as aulas”, destacou.

O estudante de enfermagem e líder indígena, Gerson kassupá, afirmou que está próximo a encerrar a faculdade e ainda tem pessoas na sala de aula que sequer o cumprimenta. “No início me sentia mal, mas depois passei a encarar a situação como um fato normal”, observou. Durante a sua fala, ele fez um breve relato sobre a história da população indígena, assim como os demais palestrantes.

Os obstáculos enfrentados também foram mencionados por Diogo Cinta Larga, que cursa Biologia no UniSL, especialmente no que tange a moradia, alimentação, transporte e o preconceito. “A cada dia preciso passar por cima dessas adversidades para não  perder o foco, que é concluir o meu curso, mas não é nada fácil”.

 

Incentivo

 

Oyiago Surui era o mais novo entre os palestrantes indígenas. Ele faz o 2º período de Biomedicina no UniSL. Entrou na faculdade por incentivo do irmão que também é universitário. “Ele sempre me trazia para a cidade para mostrar que as coisas aqui eram muito diferentes da aldeia, que existia o lado bom e o ruim de tudo isso. O lado bom era os estudos”, declarou, afirmando que sente orgulho de ser índio.

 

Educação básica


A privação de uma educação de base que ofereça o mínimo de conhecimento às crianças e adolescentes indígenas foi um dos principais tópicos apontados pelos estudantes ao relatar a dificuldade em acompanhar a vida acadêmica. “É uma realidade muito distante entre o índio que estudou na aldeia e um estudante da cidade”, frisou.

Para Jucimar Apurinã, o índio entra na faculdade e se depara com pessoas bem preparadas, se comparadas a sua realidade, e fica até com receio de falar, de não saber se expressar.  Natália Kycendekarun afirmou que é preciso rever a educação que está sendo oferecida aos índios nas aldeias. “Faz-se necessário também melhorar o acesso às informações, pois existem muitos índios que não fazem faculdade por falta de conhecimento sobre os benefícios a quem têm direito”, concluiu.

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