Centro Universitário São Lucas

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Entrevista com o formando em Odontologia, Jucimar Apurinã

Publicada em 25/05/2017 por Assessoria de Imprensa

O aluno Jucimar Apurinã, formando do curso de Odontologia, realizou no decorrer de sua formação mais de 850 horas de atividades complementares, estabelecendo um diálogo eficaz entre o ensino, a pesquisa e a extensão, vivendo a totalidade da experiência universitária. Além disso, Jucimar enfrentou diversas dificuldades que são inerentes aos alunos indígenas que saem de suas terras tradicionais. Ficam longe de seus laços familiares e culturais para viver em outro ambiente cultural. Agora, quase formado, Jucimar quer voltar como cirurgião dentista, pretendendo contribuir para o desenvolvimento do seu povo e no contato com todas as outras culturas indígenas ou não.

Assim, com sentimento de dever cumprido, os professores do Centro Universitário São Lucas parabenizam seu aluno, quase egresso, Jucimar Apurinã, e esperam que a extensão, o ensino e todas as outras formações que ele recebeu enquanto esteve no UniSL possam contribuir para que ele realize todos os seus sonhos. O professor Rafael de Andrade registrou uma breve entrevista para que possamos saber mais como foi a experiência de Jucimar. Leia abaixo:

 

1)      Quais foram as principais dificuldades em sua formação acadêmica?

 

Muitas foram as dificuldades encontradas nas quais posso citar. Uma delas foi me adaptar com a cidade e com a nova vida que estava começando, pois tudo era novidade. No início, eu peguei ônibus errado, mas com o tempo aprendi a sair de casa, chegar até a faculdade e voltar novamente. Outra dificuldade foi ter que morar longe do campus e não ter condução. Eu tive também muita dificuldade financeira para comprar os materiais odontológicos. No início, meus pais, especificamente minha mãe, me mandava uma ajuda de custo de 500 reais para me manter aqui, com esse dinheiro pagava meus boletos da dental, colocava crédito no meu cartão do SIM (Sistema Integrado Municipal) e me alimentava na faculdade. A partir do 4º período meu pai finalmente conseguiu se aposentar e com isso ele também começou a me ajudar com mais 500 reais, aparentemente parece ser muito juntando os dois, porém, mesmo com essa ajuda eu ainda passava por algumas dificuldades.

 

2)      Qual a importância da extensão em sua formação?

 

Participar desses projetos de extensão voltados para o bem da comunidade foi elementar em minha formação, tanto profissional como pessoal. Essas ações ajudaram a me encontrar e definir meus objetivos no futuro, buscando oferecer acesso à saúde e a dignidade social através do espírito solidário. É simplesmente maravilhoso fazer o bem e ajudar quem realmente precisa, na verdade, só em ver o sorriso nos lábios e o brilho nos olhos de cada pessoa que está sendo ajudada é muito gratificante. Grandes foram os momentos de alegria encontrados em nova experiência de cada comunidade. Quando estamos diante da realidade de cada uma, ao nos aproximarmos de cada pessoa, podemos compreender o desafio da vida no dia-a-dia dela. O mais importante é termos sempre a alegria em buscar ajudar o próximo.

 

3)      Após formado, quais suas pretensões com relação a sua profissão e sua identidade indígena?

 

Depois de formado pretendo voltar para minha cidade, levando orgulho para meus pais, meu povo e para todos os amigos que acreditaram em mim, que até então me viam apenas como um Técnico em Saúde Bucal (TSB). Agora estarei voltando como Cirurgião Dentista. Pretendo fazer uma pós-graduação em Prótese e Endodontia, buscando sempre me atualizar e aprimorar meus conhecimentos na área da odontologia. Em relação a minha identidade indígena, ela permanecerá viva em mim com muito orgulho.

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